
Obras não caem do céu. Não surgem por acaso. Antes de se tornarem realidade, passam pelo campo das ideias, dos projetos, das reuniões, das articulações e da persistência política. Toda grande transformação começa como um sonho, ganha forma no papel e só depois se materializa em benefício da população.
Foi justamente isso que chamou a atenção nos últimos dias com a assinatura do termo de cessão de uso de uma extensa área às margens do Rio Iguaçu, em Porto União. O terreno, pertencente à Copel e atualmente ocupado pela pista de motocross, pelo Balneário Santa Rosa e pelo Centro de Tradições Gaúchas (CTG), passa agora para a administração do município, abrindo caminho para investimentos e novos projetos de desenvolvimento.
A conquista foi comemorada pelo prefeito Juliano Hassan (PL), mas teve como peça fundamental a articulação do deputado estadual Hussein Bakri (PSD), líder do Governo Ratinho Junior na Assembleia Legislativa do Paraná. Foi através de sua influência política e da interlocução junto à Copel que o processo avançou até a assinatura.
E é justamente aí que surge a pergunta que ecoa nas rodas de conversa de União da Vitória: se foi possível resolver uma situação histórica em Porto União, município catarinense onde Hussein sequer disputa votos, por que o mesmo não acontece do outro lado da ponte?
A pergunta não é nova.
Há tempos o abandono da área do Parque Ambiental, localizada em terreno também pertencente à Copel, é alvo de críticas da população. O espaço que já foi cartão-postal da cidade hoje convive com mato alto, falta de manutenção, estruturas deterioradas e uma evidente ausência de projetos para seu futuro.
O que diferencia uma situação da outra?
A resposta parece simples: vontade política.
Em Porto União houve interesse. Houve articulação. Houve viagens, reuniões, despachos, conversas técnicas e insistência até que o objetivo fosse alcançado. Ninguém acordou um dia e encontrou a área transferida para o município. O resultado foi construído.
Já em União da Vitória, a impressão que fica é de conformismo. Não se vê mobilização pública, não se vê pressão institucional e muito menos um esforço semelhante para buscar uma solução definitiva para uma área estratégica às margens do Rio Iguaçu.
Afinal, a Prefeitura de União da Vitória quer assumir a área do Parque Ambiental ou não?
E se quer, por que nada acontece?
Se não quer, seria importante dizer isso claramente à população.
Porque enquanto Porto União conquista espaço para planejar o futuro, União da Vitória continua observando o seu principal parque afundar lentamente no abandono.
O mais curioso é que a área está localizada em um dos pontos mais privilegiados da cidade, às margens do majestoso Rio Iguaçu. Um patrimônio natural que poderia ser transformado em espaço de lazer, turismo, esporte e convivência para milhares de famílias.
Mas para isso acontecer é preciso mais do que discursos.
É preciso vontade.
É preciso trabalho.
É preciso querer fazer.
E, até agora, infelizmente, essa disposição parece estar mais presente do outro lado da ponte.
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