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União da Vitória vive de anúncio — e de recurso dos outros

Gestão municipal tenta centralizar méritos enquanto projetos próprios acumulam falhas, atrasos e dependência política

25/05/2026 às 16h47
Por: Redação
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União da Vitória vive de anúncio — e de recurso dos outros

? EDITORIAL — Portal Vale do IG

Dizem que de almas boas o inferno está cheio.

Na política também.

E diga-se de passagem: União da Vitória está cheia de “almas boas”, principalmente quando o assunto é dizer que ajudam a cidade. O que falta, na verdade, é gente disposta a reconhecer quem realmente faz acontecer.

O prefeito Ary Carneiro gosta de posar como grande gestor. Mas basta olhar para trás para lembrar o estado em que deixou a Prefeitura de Porto União nos anos 90: quebrada, sucateada e em pedaços.

Em União da Vitória a realidade é diferente. A cidade possui mais arrecadação, mais investimentos e um fluxo constante de recursos estaduais e federais. O problema não é falta de dinheiro. O problema é a forma individualista de fazer política.

Recursos conquistados através do Governo do Estado, com articulação direta de deputados estaduais e federais, são frequentemente tratados como se fossem exclusivamente conquistas da gestão Ary/Toco.

A verdade é que a prefeitura mal consegue manter equilíbrio financeiro para pagar salários e despesas básicas. Investimento pesado em infraestrutura própria? Quase inexistente.

Aliás, quando o assunto é infraestrutura, a gestão parece completamente perdida.

A revitalização da Avenida Bento Munhoz virou um símbolo disso. Fizeram projeto, anunciaram obra, abriram licitação… e nada saiu do papel. O valor previsto não bateu com as planilhas e faltou dinheiro. Resultado: 14 empresas participaram e nenhuma venceu o processo.

Outro exemplo é o projeto logístico do canal de ramificação da cidade, que segue praticamente abandonado, sem verba suficiente e dependendo novamente de recursos do Estado para tentar sair do papel.

Enquanto isso, obras que efetivamente avançam — como asfaltos em bairros, reforma da rodoviária e a nova sede do Corpo de Bombeiros — possuem padrinhos políticos muito claros.

Mas Ary faz questão de evitar citar nomes.

Talvez para não ferir o ego do seu principal aliado político, Santin Roveda, que pouco aparece ligado diretamente à viabilização dessas obras. Ou talvez para evitar admitir que boa parte dos investimentos que chegam em União da Vitória passam diretamente pelas mãos do deputado Hussein Bakri, líder do governo Ratinho Jr. e hoje principal articulador político da região dentro do Palácio Iguaçu.

Curiosamente, quem acaba aparecendo mais nas entregas são os vereadores Cordovan Neto e Pastora Josi. Nem mesmo os demais vereadores da base recebem destaque proporcional nas ações da prefeitura.

Na política, até as obras têm dono.

E em União da Vitória, o marketing parece valer mais que a verdade.

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