
O famoso Parque Ambiental de União da Vitória já foi, um dia, motivo de orgulho. Espaço de encontro, de lazer, de convivência. Era ali que famílias estendiam toalhas para piqueniques, amigos se reuniam aos fins de semana, crianças corriam livres e a cidade respirava um pouco mais leve às margens do Rio Iguaçu.
O parque também sempre foi um cartão-postal. A paisagem natural, somada a elementos urbanos como a icônica Ponte dos Arcos, transformava o local em cenário para fotos, caminhadas e momentos simples que fazem diferença na vida de qualquer cidade.
Mas essa realidade ficou no passado.
Hoje, o que se vê é abandono. Mato alto, sujeira acumulada, descaso visível a olho nu. Um espaço que antes era vivo, agora parece esquecido. E, diante das cobranças da população, o que se ouve da administração municipal não é solução — é justificativa.
Uma justificativa, diga-se, frágil.
A Prefeitura afirma que não pode realizar a manutenção do parque porque a área pertence à Copel e que qualquer intervenção poderia gerar problemas administrativos com órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas.
Mas essa explicação não se sustenta.
Em gestões anteriores, o parque foi mantido. Limpeza regular, conservação mínima e, em alguns momentos, até investimentos foram realizados no espaço — sem que houvesse qualquer tipo de sanção ou impedimento legal. A própria mudança na estrutura da Copel, com sua privatização em 2023, também não altera esse cenário a ponto de justificar o abandono.
Se até o fim de 2024 o parque seguia cuidado, por que agora não pode mais?
A resposta parece menos técnica e mais política — ou, talvez, administrativa.
E o contraste fica ainda mais evidente quando se olha para cidades vizinhas. Municípios como Porto Vitória e Porto União, mesmo com realidades semelhantes e áreas ligadas à Copel às margens do Rio Iguaçu, mantêm seus espaços organizados, limpos e utilizáveis. Lá, há diálogo, há solução, há vontade.
Aqui, há desculpa.
E é justamente isso que incomoda.
Porque não se trata de uma grande obra, de milhões em investimento ou de um projeto complexo. Trata-se do básico: roçar o mato, recolher o lixo, cuidar do que já existe. Trata-se de respeito com a cidade e com quem vive nela.
Quando a gestão pública começa a tratar o básico como impossível, o problema não está na lei, na Copel ou nos órgãos de controle. O problema está na falta de prioridade.
O Parque Ambiental não precisa de discurso. Precisa de cuidado.
E enquanto a cidade ouve justificativas, o mato continua crescendo.
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